Faial

O Faial é uma das cinco ilhas que integram o Grupo Central do Arquipélago. Com 173 km2 de superfície, ocupa o quinto lugar em extensão entre as nove ilhas açorianas. Atinge a altitude máxima de 1.043m no pico do Cabeço Gordo, no centro da ilha. É nesta zona que se situa a famosa Caldeira, uma impressionante cratera, com 1,5km de diâmetro, que ostenta paredes quase verticais, constituindo um dos mais extraordinários edifícios vulcânicos dos Açores.

Em relação ao litoral, destaca-se: as zonas escarpadas que alcançam pontualmente alturas superiores aos 200m na vertente norte e no sector ocidental, ao contrário da região sul com um relevo mais suave; as praias de areia negra, de origem basáltica, de entre as quais as da Horta e do Almoxarife; o domo fonolítico do Morro de Castelo Branco; o monte da Guia, um cone de origem submarina que terminou por unir-se à ilha pela acumulação de sedimentos, transformando-se num tômbolo - este situa-se junto à Cidade da Horta, e deu origem à única praia de areia branca do tipo organogénico, existente no Faial -; e alguns barrancos pronunciados, como o de Ribeira Funda, situado no sector ocidental.
Contrastando com o litoral, uma boa parte do interior da ilha apresenta um relevo plano, se bem que alguns cones vulcânicos de tamanho médio e pequeno, instalados ao longo da linha de fractura Faial-Pico, rompem a monotonia da paisagem. No extremo ocidental da ilha, encontra-se o Vulcão dos Capelinhos, formado pela erupção ocorrida entre 1957 e 1958. Originalmente estava separado da costa, mas terminou por se lhe unir, aumentando a superfície do Faial em 1 km2.

O clima é idêntico ao da maioria das ilhas dos Açores, com uma precipitação média anual na ordem dos 1200mm, bastante mais alta nas zonas do interior; com neblinas frequentes nas áreas montanhosas e poucos dias de sol por ano. Contudo, as condições climáticas da Cidade da Horta e de outras localidades viradas a Sul são um pouco mais favoráveis do que nas zonas de barlavento.
Actualmente, o Faial conta com uma população de cerca de 15.040 habitantes (2011), concentrados sobretudo na capital, Horta, ou em localidades próximas, como Flamengos, Feteira, Portela, Praia do Almoxarife, etc, enquanto, no lado norte da ilha, apenas se destacam, em termos populacionais, Ribeirinha, Salão, Cedros e Cascalho. A cidade da Horta acolhe uma das sedes da Universidade dos Açores, aqui se localizando o Departamento de Oceanografia e Pescas. O seu porto de recreio, de importância regional, é conhecido internacionalmente, porque muitos são os iates e outras embarcações que ali fazem escala, ao atravessar o Atlântico. O reconhecimento do seu valor está patente no autêntico museu de arte ao ar livre, formado por inúmeras pinturas realizadas por navegadores das mais diversas procedências durante a sua estadia no Faial.

Tal como acontece em outras ilhas do arquipélago, a economia tradicional teve por base dois pilares, a criação de gado e a pesca, e em menor grau a agricultura. No entanto, nas últimas décadas, o sector do turismo ganhou peso e houve que criar novas infra-estruturas para captar mais turistas, como um Centro de Interpretação dos Capelinhos, junto ao Farol, e vários hotéis e alojamentos especializados, cerca do Jardim Botânico do Faial. Este jardim reúne uma boa amostra de plantas endémicas e autóctones, na sua maioria dos Açores, bem como outras espécies exóticas. No passado, a caça à baleia era economicamente importante, mas veio a ser proibida nos anos 70 do século XX. Esta actividade foi reconvertida na observação de cetáceos, criando um novo tipo de turismo, que tem vindo a crescer em todo o arquipélago, paralelamente à caminhada e à observação da natureza em geral.

Entre os factos históricos mais importantes, menciona-se o descobrimento da ilha na primeira metade do século XV, e o seu posterior povoamento por colonos flamencos, iniciado em 1468. Em 20 anos, o número destes colonos era já de 1500. Daqui advém o nome da localidade de Flamengos, perto da capital. Salienta-se, também, a importância internacional que o aeroporto adquiriu, desde os inícios do século XX, quando ali aterravam os primeiros aviadores intrépidos que atravessaram o Atlântico, e por servir como escala para voos de várias companhias de renome quer europeias quer americanas. O mesmo cabe dizer em relação ao porto da Cidade da Horta, já referido. Por tudo isto, não é de estranhar que o Faial seja uma das ilhas mais cosmopolitas do conjunto da Macaronésia.

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